A Comuna é uma organização ecossocialista, feminista, antirracista, antilgbtfóbica, antiproibicionista e revolucionária fundada em 2017 no Brasil. Nos referenciamos numa tradição renovada do Marxismo, construímos a IV Internacional (CI) e atuamos como tendência interna do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Sônia Guajajara e Plínio Jr. para representar o PSOL em 2018

15/12/2017

 

 

A eleição de 2018 acontecerá após uma série de ataques promovidos pelo governo ilegítimo de Michel Temer que representam uma saída reacionária para a crise brasileira, uma saída que aumenta a exploração da natureza em geral e da classe trabalhadora em particular, assegurando a manutenção os privilégios do agronegócio, do setor financeiro, do capital internacional e os interesses imperialistas no Brasil. Inúmeras medidas que aprofundam o ajuste fiscal iniciado por Dilma e potencializam a destruição da natureza e dos territórios tradicionais, a exemplo da PEC da morte, que limita o investimento público por 20 anos, do decreto de extinção da Renca, do desmonte da CLT e da ofensiva para aprovar a contrarreforma da previdência.

 

            Em meio a um quadro de profunda impopularidade do governo ilegítimo, a antecipação do debate eleitoral por parte dos partidos da ordem é evidente. No PSDB, Alckimin começa a se apresentar como pré-candidato, aludindo em entrevistas à necessidade de manutenção das reformas. Ciro Gomes, que busca despontar como um fato novo, diz querer conciliar o “setor produtivo” e o trabalho. Por mais que os discursos de pré-campanha variem, o que os governos estaduais sustentados pelo PSDB em São Paulo e pelos Ferreira Gomes no Ceará demonstram é que as saídas apontadas por estes agrupamentos reforçam o predomínio dos interesses do capital em relação ao equilíbrio dos ecossistemas e a vida humana com dignidade.

 

            Ao mesmo tempo, um forte sentimento de negação da política se expressa no apoio crescente à candidatura de Bolsonaro. Apostando em um conteúdo reacionário de ódio às minorias, restrição dos direitos das mulheres e da população LGBT, o parlamentar fascista pretende se apresentar como um candidato em oposição “a tudo que está aí”, mas está há mais de 30 anos no parlamento promovendo discursos lgbtfóbicos, machistas, racistas e em louvor a ditadura militar. O combate ao reacionarismo representado por Bolsonaro deve estar no centro das preocupações da esquerda no próximo período.

 

            Por outro lado, o campo representado pelos governos de Lula e Dilma dá sinais de recomposição com setores que protagonizaram o golpe parlamentar-empresarial-midiático de 2016. A caravana de Lula, com atos públicos na rua e reuniões privadas com oligarcas como Renan Calheiros em Alagoas e a família Campos de Pernambuco demonstram que a opção do PT continua sendo pela conciliação de classes e pela governabilidade com setores da direita. O perdão que o campo petista quer conceder aos que circunstancialmente chamaram de golpistas é incompatível com o sentimento de indignação dos que veem cotidianamente seus direitos serem atacados.

 

            Considerando que as pré-candidaturas já colocadas demonstram ser favoráveis a manutenção do ajuste fiscal e que o campo que se organiza em torno do PT já sinaliza mais um acordo por cima com a burguesia e seus representantes, aumenta a responsabilidade do PSOL e da esquerda revolucionária no enfrentamento às contrarreformas e no processo eleitoral. O atraso do PSOL em apresentar uma pré-candidatura presidencial abre espaço para que falsas alternativas se coloquem, ocupando um espaço que poderia ser disputado pela esquerda socialista.

 

            Inicialmente, o atraso na definição do PSOL foi motivado pela espera da resposta do companheiro Chico Alencar, que tinha potencial para ser uma candidatura consensual no partido. Admitindo a possibilidade de uma candidatura com o perfil programático do PSOL e com capacidade de unificar o partido, naquele momento a Comuna posicionou-se favoravelmente à sua pré-candidatura. No entanto, com a retirada pelo companheiro Chico de seu nome para a tarefa de presidenciável, o debate no PSOL foi reaberto.

 

            O VI Congresso Nacional do PSOL definiu que o partido deverá ter candidatura própria em 2018. No entanto, a maioria do congresso optou por postergar a definição do nome da companheira ou companheiro que nos representará para esta importante tarefa. Este adiamento tem com o objetivo aguardar a definição de Guilerme Boulos, do MTST, de quem parte do PSOL espera filiação nos próximos meses. No próprio congresso foram apresentadas as pré-candidaturas que já estão postas no partido: companheira Sônia Guajajara e companheiros Plinio Sampaio Jr., Nildo Ouriques e Hamilton Assis.

 

            Entendemos que uma candidatura do PSOL tem de estar alicerçada no programa do partido e nas formulações dos setoriais, tendo como horizonte a construção de uma sociedade livre da exploração e da opressão e incorporando as contribuições dos movimentos sociais que apontem nesta direção. Sem desmerecer as importantes contribuições que cada companheiro que se postulou ao debate apresenta, consideramos serem as pré-candidaturas de Sônia Guajajara e Plínio Sampaio Jr. as que reúnem as melhores condições para cumprir a importante tarefa de representar o acúmulo do partido e das lutas sociais no processo eleitoral de 2018. No que tem de comum, as pré-candidaturas de Plínio e Sônia combinam o enfrentamento cotidiano às contrarreformas do governo ilegítimo de Michel Temer com a crítica severa a experiência de 13 anos de governos de conciliação liderados pelo PT.

 

Apresentada pelo setorial ecossocialista do PSOL, a pré-candidatura de Sônia Guajajara representa uma das mais poderosas críticas anticapitalistas da atualidade, combatendo os setores mais violentos da nossa sociedade, as lutas indígenas desnudam relações históricas de poder e opressão. O lançamento de sua pré-candidatura animou e unifica as mais de 240 etnias que enfrentam cotidianamente no Brasil, numa guerra contínua, os interesses de todos os setores do capitalismo. O cenário político nacional e internacional é constantemente interpelado pelas pautas indígenas que estão repletas de lições e nos servem de exemplos de luta e resistência.  As companheiras e companheiros da Comuna que animam a pré-candidatura de Sônia entendem que   “Após cinco séculos de exploração, opressão, etnocídio, colonização, racismo, negação de direitos humanos, culturais, ambientais e territoriais de nossos povos originários e de origem africana para saciar a fome insaciável do capital e de seu modelo de desenvolvimento predatório, injusto e insustentável, temos a possibilidade de uma candidatura que represente, simbolize e verbalize não apenas a resistência a essa trágica história, mas, que aponte a perspectiva de uma sociedade que conjugue o ecossocialismo com o bem viver da cosmogonia indígena.”[1].

 

A pré-candidatura de Plinio Sampaio Jr. sinaliza um PSOL comprometido com a construção de uma frente da esquerda socialista como estratégia para o enfrentamento ao ajuste fiscal do governo ilegítimo que se expresse também com unidade no processo eleitoral. Rejeitando as saídas reacionárias e conservadoras, mas também se contrapondo a alternativa conciliatória do petismo, propõe que a candidatura do PSOL seja um polo aglutinador dos partidos da esquerda socialista e de movimentos sociais combativos. Para a militância que constrói a pré-candidatura de Plinio “o desafio do PSOL é definir uma agenda, um programa e um candidato inequivocamente comprometido com uma alternativa socialista ao ajuste neoliberal e uma radicalização da democracia diante da crise da Nova República”[2].

 

Os desafios que uma candidatura do PSOL à presidência da República em 2018 possui são imensos. Um dos principais consiste em contrapor-se a agenda neoliberal representada pelos partidos da ordem, ao reacionarismo machista, racista e LGBTfóbico, sem diluir-se em meio à candidaturas que apresentam como saída para crise a mesma política de conciliação vigente nos governos petistas. A superação desses desafios passa por apresentar um programa classista, ecossocialista, feminista, antirracista, LGBT e que proponha a revogação de todas as medidas do governo ilegítimo. É pela disposição de enfrentar esta tarefa e de apresentar um programa anticapitalista para o Brasil que apoiamos as  pré-candidaturas de Sônia Guajajara e Plínio Sampaio Jr.

 

 

 

[1] Carta por uma Candidatura Indígena, Anticapitalista e Ecossocialista à Presidência do Brasil - http://www.518anosdepois.com

 

[2] É tempo de ser exigente! Plínio presidente! – http://www.bit.ly/plinio2018

 

 

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