A Comuna é uma organização ecossocialista, feminista, antirracista, antilgbtfóbica, antiproibicionista e revolucionária fundada em 2017 no Brasil. Nos referenciamos numa tradição renovada do Marxismo, construímos a IV Internacional (CI) e atuamos como tendência interna do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Uma ousadia atemporal

18/12/2017

 

Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo,
a mãe,
pelo menos a Terra.
Vladimir Maiakovski (1893-1930)

 

Quando no último quartel do século XX ruíram o muro de Berlim e a União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) os abutres capitalistas e seus
arautos, não tardaram em brandir triunfantes que o Fim da História então
chegara. Assim, o caminho da humanidade seria uma via de mão única. Não
haveria alternativas à sociedade de consumo. Este seria o único mundo
possível, o único mundo desejável. As diversas experiências emancipatórias
levadas a cabo pelas classes exploradas também foram alvo de tentativas de
esvaziamento de sentido e relevância histórica. Seus exemplos e memórias
deveriam ser banidas de corações e mentes que pudessem sonhar “mais um
sonho impossíve
l”.


O fim da experiência soviética não significou o fim dos elementos que nutrem e
perpetuam a opressão e a exploração capitalistas. Tentativas ideológicas de
negação da possibilidade de uma outra perspectiva de sociabilidade pós-
capitalista não apagaram a história e nem encobriram a realidade objetiva da
exploração e da luta de classes que permanecem vivas e em processo intenso
de expansão.


“No curso do dia de ontem, o Comitê Militar Revolucionário ocupou todas as
estações de estradas de ferro, postos importantes, estações elétricas e
telefônicas; efetuou a detenção de alguns ministros e fechou os sovietes das
repúblicas. O governo provisório foi declarado deposto. (...) De tarde, no
Soviete de Deputados Operários e Soldados apresentaram-se Lenin e
Zinoviev, que proclamaram o começo da revolução socialista”. Dessa forma, a
cem anos em 25 de Outubro ou 7 de novembro, pelo calendário juliano, o jornal
Novaia Jizn anunciava o triunfo da maior revolução social do século XX.
Revolução que abriu uma nova etapa na história da humanidade na
perspectiva da emancipação das classes trabalhadoras. Seus efeitos se
fizeram sentir não somente em solo russo, mas em todo a Europa e no mundo
capitalista em geral. Transformar o mundo, em todos os níveis, e o homem em
todas as suas dimensões, estes eram, em síntese, os objetivos do “grande
assalto ao céu”.

 

Aquela grande ousadia, levada a cabo por homens e mulheres em íntimo e
profundo conluio com o desejo de liberdade e emancipação, jogou por terra a
pantomima de que a classe trabalhadora jamais poderia derrubar a sociedade
capitalista e sobre seus escombros construir um mundo novo livre da opressão
e da exploração capitalista. Apesar da burocratização e degenerescência em
que culminou aquela experiência suas conquistas são irrefutáveis. De uma
sociedade economicamente atrasada, em relação ao restante da Europa e da
América do Norte, a Rússia foi transformada em uma imensa potência
econômica e industrial em apenas duas décadas; erradicou o analfabetismo de
milhões de pessoas; multiplicou o número de equipamentos culturais, etc. Seu
triunfo impulsionou conquistas políticas e econômicas à classe trabalhadora em
todo o mundo. Seu exemplo, como possibilidade de construção de um
sociedade pós capitalista, tem animado gerações a permanecerem na luta
cotidiana contra toda forma de opressão, injustiça e exploração capitalista e
buscando a ruptura dessa ordem e a construção de um outro mundo possível.

 

Ciente de que se a revolução é possível ela também não é inevitável. Ela será
fruto de muito trabalho e militância, coragem e ousadia para combatermos o
capitalismo em todas as frentes.

 

O futuro não virá por si só, se não tomarmos medidas (...) A Comuna não é uma princesa fantástica com quem de noite se sonha (...) O Comunismo nãoreside apenas na terra, no suor das usinas. Senão também no lar, à mesa, nasrelações de família, nos costumes. (...) O ataque à família, ao lar, não é paranós ameaça menor. (...) Qual uma peliça o tempo é também roído por vermescotidianos. As vestes poeirentas de nossos dias cabe a ti Kossomol, sacudi-las!(Vladimir Maiakovski)

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