Eu fui, eu sou, eu serei: 99 anos da morte de Rosa Luxemburgo

16/01/2018

 

Pouco antes do início da Comuna de Paris, nascia na cidade polonesa de Zamosc Rosalia Luxemburgo, a mais vermelha das rosas. Desde o ensino secundário que Rosa simpatizava com o socialismo e iniciou sua militância no primeiro partido Proletariado. AInda muto jovem ajudou a fundar em 1893 o partido Social Democracia do Reino da Polônia (SDKP) que logo iria se chamar Social Democracia do Reino da Polônia e da Lituânia (SDKPiL).

 

Em 1897 defende sua tese de doutorado em ciência política na Suíça entitulada O desenvolvimento industrial da Polônia. Em 1898, emigra para a Alemanha, centro do capitalismo da Europa continental com objetivo de conseguir apoio para se partido na Polônia. Logo se via envolvida em intensas polêmicas com importantes figuras do Partido Social Democrata Alemão (SPD) como Eduard Bernstein e Kautsky.

 

Famosa por sua aversão ao nacionalismo e pela defesa de um internacionalismo intransigente, radicaliza sua crítica ao próprio SDP em 1914 quando a bancada do partido ajuda a aprovar os créditos de guerra solicitados pelos Imperador, o que dá início à Primeira Guerra Mundial. Rosa passa a maior parte da duração do conflito presa e só é libertada com o fim da guerra (1918).

 

A derrota da Alemanha abriu espaço para mudanças políticas no país como o fim o Império e a adoção da República Parlamentarista e a formação de um governo liderado pelo agora moderado SPD. Nesse contexto, alguns grupos políticos iniciam a luta armada pela Revolução Socialista na Alemanha, em sua maioria próximos às ideias da Liga Espartaquista, fundada por Rosa e outros militantes expulos do SPD. Com isso se inicia em novembro de 1918 a Revolução Alemã.

 

Temendo o possível fortalecimento do grupo revolucionário, o governo do SPD autoriza que grupos paramilitares iniciem a caça de Rosa e seu camarada Karl Liebknecht. Em 15 de janeiro ambos são presos e executados. Após um tiro na cabeça, o corpo de Rosa foi lançado num canal em Berlim e encontrado ao final de maio em avançado grau de decomposição. Seu enterro foi acompanhado por milhares de trabalhadores.

 

Passados 99 anos de sua brutal execução, a insubmissa revolucionária segue viva nas lutas radicais no século XXI.

 

 

"Os erros cometidos por um movimento

operário verdadeiramente são,

do ponto de vista histórico,

infinitamente mais fecundos

e valiosos que a infalibilidade

do melhor 'comitê central". 
Rosa Luxemburgo

 

 

 

 

Antônio Mota é economista, mestre em História Econômica e militante da Comuna São Paulo.

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