A Comuna é uma organização ecossocialista, feminista, antirracista, antilgbtfóbica, antiproibicionista e revolucionária fundada em 2017 no Brasil. Nos referenciamos numa tradição renovada do Marxismo, construímos a IV Internacional (CI) e atuamos como tendência interna do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Um Primeiro de Maio de Luta Contra a Reforma da Previdência

01/05/2019

O Primeiro de Maio tem sido comemorado pelas e pelos trabalhadores do Brasil e de várias partes do mundo. Sua celebração evoca as manifestações dos trabalhadores em Chicago ocorridas em 1866, dura e violentamente reprimidas. O episódio entrou para a História como a Revolta de Haymarket. Sua principal reivindicação foi por um direito que hoje se apresenta como natural: a jornada de oito horas de trabalho.

 

No dia 20 de junho de 1889, a Segunda Internacional decidiu que o Primeiro de Maio seria a data magna das lutas dos trabalhadores pela redução da jornada de trabalho para oito horas diárias. Desde então a data tem sido marcada como o mais importante dia de luta dos trabalhadores no ano.


No Brasil, o Dia dos Trabalhadores foi um marco histórico do surgimento das lutas operárias; o primeiro  registro histórico de sua celebração foi no Rio de Janeiro, em 1906, pouco após a realização do I Congresso Operário. Em muitos outros anos, durante a chamada Primeira República, o Primeiro de Maio se tonaria um momento de reivindicação e de demonstrar a força dos trabalhadores organizados nas maiores cidades do país. Nessa época, as lideranças operárias realizavam comícios para a propagação de suas ideias e também organizavam boicotes e greves, enfrentando o patronato e a polícia. As principais reivindicações eram a jornada de oito horas de trabalho (quando se trabalhava de 10 a 12 horas por dia), a abolição do trabalho infantil (crianças de seis anos eram operários) e a proteção ao trabalho da mulher, entre as mais importantes.
 

O Primeiro de Maio, ensinavam as lideranças, que não era dia de comemoração, mas de protestar e ganhar aliados. Um dia para se valorizar o trabalho e os trabalhadores tão sem direitos.

Fato é que a celebração do Dia dos Trabalhadores refletiu as diversas fases do movimento dos trabalhadores no Brasil e no mundo.
 

No Estados Unidos, sua data foi simplesmente mudada pelo governo, para esvaziar qualquer lembrança de sua origem como luta popular; na França, embora ratificado como feriado, sempre foi uma data que expressou grandes eventos políticos e manifestações – hoje, por exemplo, são esperadas grandes manifestações dos coletes amarelos.
 

No Brasil, pode se seguramente afirmar que o Primeiro de Maio teve refletida na história de sua celebração os grandes acontecimentos de nossa História. Desde sua primeira celebração e as grandes manifestações da década de 1920, mostrou a hegemonia anarquista no movimento operário brasileiro. Sua encampação, primeiro pelo governo Arthur Bernardes e depois pelo regime varguista mostra que logo o Estado estava atento para seu potencial questionador e procurou, depois de reprimi-lo, controlá-lo. Reacendido em seu potencial transformador pelas lutas contra o regime militar nos anos de 1970. E, por sua vez, os grandes showmícios promovidos por centrais trabalhistas, direito a sorteio de casas e carros e cantores sertanejos foram um reflexo da hegemonia neoliberal. Com as próprias centrais trabalhistas procurando escamotear sua celebração como uma data de luta e combatividade.

 

O Dia do Trabalhador a ser celebrado no Primeiro de maio de 2019 busca justamente reacender a chama do movimento popular e dos trabalhadores contra as medidas antipopulares propostas pelo Governo Bolsonaro. Em especial a Reforma da Previdência. A proposta atual de contrarreforma tem como objetivo simplesmente destruir o Sistema de Seguridade Social brasileiro. Impingir a nós a força um sistema de capitalização individual – cujos resultados sociais desastrosos podem ser vistos no Chile – onde são pagas pensões irrisórias e insuficientes para a manutenção da mínima dignidade do idoso. Ou nos Estados Unidos, onde os fundos de pensão dos trabalhadores foram simplesmente tragados pela voracidade do mercado financeiro.

 

Baseada num pretenso déficit bombardeado e alardeado pelo Governo Bolsonaro e pela mídia amestrada, tais números são uma miragem insustentável diante de qualquer estudo mais sério, dos quais existem diversos exemplos. Seu objetivo é claro: minar direitos adquiridos pelos trabalhadores e destruir qualquer possibilidade dos mais pobres se aposentarem. Se é necessário reformar a Previdência Social, que se reforme onde mais se necessita de fato: no combate às fraudes, na cobrança dos grandes devedores; na ampliação de seu controle social pelos trabalhadores e no fim de privilégios para militares e membros do Poder Judiciário.


Todos e todas às ruas no Primeiro de Maio!

 

Rumo a Greve Geral!

 

Trabalhadores do mundo, uni-vos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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