IV Internacional: Para fortalecer a luta contra a Covid-19, o bloqueio contra Cuba deve terminar!


Publicado originalmente em 21 de abril no site International Viewpoint

Traduzido para a língua portuguesa por Vinicius Souza

Revisado por João Machado

Ao lado do acesso à educação (pública e gratuita do jardim de infância à universidade), a saúde é uma das grandes conquistas da Revolução Cubana, que, apesar das dificuldades, erros e contratempos, ainda está em vigor. Para se ter uma idéia da força do sistema de saúde cubano, basta comparar alguns dados bastante conclusivos. Nos Estados Unidos, um país com um PIB per capita de 58.469 euros por ano, e cujo investimento em saúde representa 14,32% do PIB, estamos testemunhando um colapso real, na saúde que não é difícil de entender: há uma proporção de 3 médicos por mil habitantes (o que dá uma boa idéia da brutal desigualdade social que caracteriza essa sociedade). Cuba, um país com um PIB per capita de 7.470 euros, investe 10,92% do seu PIB em saúde e possui 9 médicos por mil habitantes, segundo dados oficiais de 2019; é capaz de lidar com a pandemia em casa, e ainda fornecer ajuda no exterior.


Em 19 de abril de 2020, Cuba tinha 1035 pacientes infectados por coronavírus, dos quais 34 morreram desde o início da epidemia. As autoridades alertam para o perigo da propagação da epidemia e não adotam uma atitude triunfalista.


É provável que o número de mortes aumente consideravelmente, e o bloqueio contra Cuba é um fator agravante, pois dificulta a importação de certos equipamentos e medicamentos necessários para responder à epidemia.


É claro, no entanto, que a alocação de recursos em Cuba é muito mais igualitária e eficiente do que em outros países. Além disso, a tradição de solidariedade internacionalista do povo cubano tem sido expressa principalmente na área da saúde, graças a um sistema 100% público. Recentemente, alguns países europeus tiveram que recorrer à ajuda de Cuba no combate à pandemia. A Itália, que tem cerca de 4 médicos por mil habitantes e um PIB per capita de 29.610 euros por ano, ou Andorra, com um PIB per capita de 35.975 euros, foram obrigados a pedir ajuda ao país do Caribe, devido à incapacidade de países vizinhos de ajudá-los e à paralisia da União Europeia.


Segundo dados oficiais, em 2019, o pessoal de saúde cubano no exterior ultrapassou 28.000, em 60 países.


Até o momento, Cuba enviou 21 brigadas de profissionais da saúde para se incorporarem a esforços nacionais e locais em 20 países que solicitaram recentemente assistência médica cubana para combater o coronavírus. Essas 21 brigadas são adicionais ou reforçam as brigadas de colaboração médica em 60 países, onde já prestavam serviços.


Nos últimos 50 anos, o pessoal médico cubano realizou missões em 164 países da África, nas Américas, no Oriente Médio e na Ásia.


O pessoal de saúde cubano acumulou uma grande experiência no combate à dengue que sacode a ilha periodicamente, bem como à epidemia de Ebola na Serra Leoa, Guiné Conacri e Libéria (2014-2015) e à epidemia de cólera no Haiti. Também interveio de maneira eficaz para ajudar as vítimas de vários terremotos neste país do Caribe, bem como no Paquistão (2005) e no Nepal (2015); contra inundações e furacões na América Central e no Caribe. A Organização Mundial da Saúde reconheceu a importância e a qualidade da assistência médica cubana em nível internacional.


Cuba também desenvolveu a produção de medicamentos e tratamentos altamente eficazes contra várias epidemias. Embora atualmente não exista vacina preventiva ou tratamento específico para o novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa o COVID-19, a indústria farmacêutica cubana garante a produção de drogas comprovadas e altamente eficazes, como o interferon alfa 2b, além de outras drogas. que fazem parte do protocolo de tratamento para pacientes com esta doença e para todas as complicações que podem surgir.


O embargo imposto pelos Estados Unidos contra Cuba é um ato criminoso porque tenta impedir a livre cooperação sanitária entre Cuba e os vários países que solicitaram sua assistência ou que desejam fortalecer a colaboração com a ilha do Caribe.


As autoridades cubanas afirmaram corretamente, em uma declaração do Ministério das Relações Exteriores de 16 de abril: “Se os países em desenvolvimento não tiverem acesso garantido às tecnologias disponíveis principalmente em países altamente industrializados, especialmente na área da saúde, e se estes não compartilharem de maneira desimpedida e desinteressada o desenvolvimento científico e seus produtos, a grande maioria da população mundial estará tão exposta ou até mais exposta do que hoje, em um mundo cada vez mais interconectado. ”


A mesma declaração também está certa ao dizer: “Se medidas econômicas coercitivas e motivadas politicamente contra países em desenvolvimento não forem eliminadas, e se estes países não forem desobrigados do pagamento da dívida externa onerosa e impagável, e liberadas da implacável tutela das organizações financeiras internacionais, não podemos nos iludir pensando que estaremos em melhor posição para responder às disparidades econômicas e sociais que, mesmo sem uma pandemia, matam milhões de pessoas todos os anos, incluindo crianças, mulheres e idosos. ” (Declaração no site oficial do Ministério: http://www.cubadebate.cu/noticias/2020/04/16/minrex-la-pandemia-demuestra-la-necesidad-de-cooperacion-pese-a-las-diferencias-politicas/)


A crise do coronavírus mostrou que a espinha dorsal de uma resposta adequada à epidemia do coronavírus é o sistema público de saúde. As políticas neoliberais dos últimos 40 anos, em geral, e dos últimos 10 anos de austeridade, em particular, foram responsáveis ​​por pesadas perdas de vidas. Onde os cortes orçamentários foram mais severos, o colapso do sistema de saúde foi mais dramático. Nos Estados Unidos, o caos é maior do que em outros países, não apenas pela natureza ultra-reacionária do governo, mas também pela ausência de algo que se assemelhe a um sistema de saúde pública universal e gratuito.


Além disso, os Estados Unidos não apenas rejeitaram a ajuda cubana, em um ato criminoso - que custará centenas ou milhares de vidas - mas também estão pressionando os países que pediram ajuda a Cuba para desistirem dela. Os governos reacionários de Brasil, Equador e Bolívia, por sua vez, expulsaram missões médicas cubanas.


Como se tudo isso não bastasse, Trump decidiu, em 15 de abril de 2020, pôr fim à contribuição dos EUA à OMS, em um momento em que esta agência da ONU desempenha um papel importante na luta contra o coronavírus.


Em vista disso, Cuba defende que é absolutamente necessário um esforço internacional, sem preconceitos políticos, para desenvolver e compartilhar pesquisas científicas e trocar experiências de vários países nas áreas de trabalho preventivo, proteção dos mais vulneráveis ​​e de práticas de conduta social. Isso permitirá reduzir a duração da pandemia e a taxa de perdas humanas.


Sendo assim, a IV Internacional conclama todas as forças revolucionárias, progressistas e democráticas a fortalecerem a luta contra o bloqueio de Cuba e a intensificar a solidariedade com o povo cubano. Apoiamos totalmente a ajuda externa fornecida pelos trabalhadores da saúde cubanos. A única saída para a crise é a solidariedade internacional e o desenvolvimento do internacionalismo entre os povos. Abaixo os governos reacionários que desprezam a vida de seus próprios povos e promovem o nacionalismo, o racismo e a guerra como uma saída da crise.


Intensifiquemos a luta para que se levante o bloqueio contra Cuba!


Solidariedade, autodeterminação e internacionalismo!

Nossas vidas são mais importante que seus lucros!

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