Nota do Setorial Sindical da Comuna: por um 1º de Maio Classista e de Luta na Pandemia

O Mundo vive desde o final de 2019 com os efeitos do novo corona vírus e da Covid-19, levando milhares de pessoas à morte e mostrando a face mais cruel do capital, pois a maior parte dos mortos são as pessoas das periferias.

 

O sistema de saúde que já vinha sendo atacado nos últimos anos pela falta de investimentos na área, com verbas cada vez menores para a saúde pública, que já chega perto do colapso. Os profissionais de saúde se encontram mais do que nunca expostos a contaminação, pois estão trabalhando sem o mínimo de proteção, fazendo aumentar um outro drama: as mortes com acidentes de trabalhos, que a cada 3 horas e 40 minutos levam a vida de um trabalhador(a).

 

Na esteira do vírus vem uma crise econômica que mostra como o trabalho sem garantias trabalhistas deixa a classe mais exposta aos riscos. São milhares de trabalhadores no emprego informal que estão sofrendo sem renda para sustentar as suas famílias. O governo dificulta o máximo possível que esses trabalhadores tenham o acesso aos R$600,00 ou R$1.200,00 reais do auxílio emergencial.

 

Nessas condições vemos ainda que os governos de estados e municípios tentam implementar arremedos de educação, recorrendo a utilização de plataformas de grandes corporações. Fazendo ensaios da privatização da educação e saúde pública e serviços básicos como acesso a água e energia elétrica.

 

Com todo esse cenário nos deparemos com a CUT, CTB, UGT fazendo o chamado a figuras como Rodrigo Maia, Witzel, Dória, Acolumbre, Fernando Henrique e Lula, transformando o primeiro de maio no palanque para 2022.  

 

A maioria desses políticos aprovou recentemente o desmonte da previdência pública, fazem do parlamento espaço de barganha com os grandes empresários e o agronegócio, provendo o neoliberalismo com um brutal corte dos gastos públicos em áreas sociais. Sem falar que no caso de Witzel e Dória, foram eleitos com apoio de Bolsonaro. Estão juntos para atacar a classe trabalhadora.

 

Entendemos que o primeiro de maio não deve servir para construirmos palanque para aqueles que retiram os direitos da classe trabalhadora se apresentarem cinicamente como nossos aliados. Naquilo que é decisivo para o futuro de quem trabalha, figuras como Rodrigo Maia aprovaram toda agenda de retrocessos de Guedes-Bolsonaro. É preciso pensar uma transição ecossocialista nos meios de produção tomando como exemplo as experiências acumuladas neste período através da reconversão industrial, onde fábricas de armas produziram máscaras de proteção e fabricantes aviões produziram respiradores.

Por isso defendemos o rompimento com esse ato, pois além de não está à altura das necessidades da classe, o que ele sinaliza a partir da presença de representantes da burguesia é o desejo de recomposição da política conciliatória que nos trouxe até aqui. Não mostra os rumos que precisamos ter para enfrentar as políticas que estão sendo construídas por Bolsonaro e Paulo Guedes, que vão da privatização de empresas públicas para o capital, bem como o fim do serviço público.

 

Defendemos a continuidade da luta pela revogação da contrarreforma previdenciária e o fim da reforma trabalhista. Somos pela retomada dos investimentos na educação pública, com a implementação dos 10% do PIB para e educação pública já, bem como que se recupere o SUS para garantir a saúde de qualidade para a classe.

 

Que o primeiro de maio seja um dia de luta em defesa das vidas de trabalhadores e trabalhadoras em face da pandemia. Em diversos estados, associações patronais pressionam os governos para a retomada de suas atividades. Por um lado, expõem da forma mais cruel a lógica destrutiva e genocida dos capitalistas. Por outro, acabam assumindo o que nós já sabíamos: é pelas mãos da nossa classe que a riqueza é produzida. Nessas mãos está a força pra construir outro futuro.

 

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