Comuna Rio de Janeiro: Em tempos de pandemia, a saúde tem pressa


O ano de 2020 mal começou e o mundo foi atingido em cheio pela maior pandemia dos últimos tempos chegando até agora em 3,62 milhões de infectados e 253 mil mortos.

No Brasil não é diferente: chegamos a marca de 110 mil infectados e mais de 7 mil mortos, com o governo de Bolsonaro insistindo em desacreditar o mundo da ciência e incentivando a população a ir para a rua com suas carreatas da morte, atacando o regime democrático e não mostrando qualquer cuidado com a vida humana. Como sabemos, o que está em jogo são os interesses do capital.

Porém, essa pandemia mostra um dos lados mais graves desse governo e de outros que o antecederam: a falta de investimento na saúde pública, ou seja, no SUS. Temos no orçamento enviado para o congresso esse ano a retirada de 20 milhões para a saúde, mostrando assim a falta de interesse desse governo no setor.

No Rio de Janeiro, apesar de ser um dos estados que mais endureceu nos primeiros momentos a questão do isolamento social, essa falta de investimento na saúde mostrou o que também era esperado: a total precarização desse setor, que vem sofrendo ao longo de décadas com a falta de investimento, entrando todo o sistema a OS ’s, que não investem na estrutura de hospitais e vira e mexe são envolvidas em escândalos de desvio de dinheiro. Um exemplo é o caso que que aconteceu recentemente, o qual levou a demissão do subsecretário de saúde do estado do Rio de Janeiro. Entre março e abril, o estado comprou mil respiradores e até o atual momento nenhum chegou. Entre os contratos, foram encomendados aparelhos de uma empresa que vende equipamentos de informática e nunca havia feito nenhum negócio com o governo até a compra. Inclusive, houve um adiantamento para que fossem liberados os equipamentos até o dia 4 de abril. E até hoje, nenhum foi entregue. Importante também salientar que os equipamentos foram os mais caros na cotação feita pela Secretaria de Saúde. O dano desse desvio e o não recebimento dos equipamentos é de valor inimaginável no controle da pandemia e da saúde dos infectados.

Essa situação ajuda o não cumprimento da promessa de abertura dos hospitais de campanha, que em sua maioria não saiu do papel. Mesmo sendo um dos estados que mais possuem hospitais federais, o Rio não pode contar com essa rede pois o governo federal não a preparou para receber os pacientes com o COVID – 19.

Vemos os três poderes sem unidade para tocar a crise em que nos encontramos por isso, nós do Comuna RJ, defendemos:

1 - Quarentena e bloqueio total (lockdown) do Estado do RJ e do Município do RJ até queda e estabilização segura da curva de contágio do COVID-19

2 - Centralização e controle pelo Estado de todos os leitos das redes hospitalares públicas e privadas para atendimento aos portadores de COVID-19

3 - Concessão de Máscaras de proteção e Álcool em Gel para toda a população do Estado do RJ para proteção contra o contágio do COVID-19

4 - Arresto e/ou requisição de valores/insumos/equipamentos/instalações e demais meios que se fizerem necessários para atendimento das necessidades acima e outras que por ventura surjam do combate à propagação do COVID-19

5 - Controle e acompanhamento das medidas acima por um Conselho de Emergência e Combate ao COVID-19 formado pela Secretaria de Saúde do RJ, Ministério Público do RJ, Defensoria Pública do RJ, Entidades Profissionais de Saúde do RJ tais como Sindicato dos Médicos, Sindicato dos Enfermeiros, Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e demais entidades que se fizerem necessárias.

Fora Bolsonaro.

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