Camila Valadão: uma vitória que não foi acidente!

O PSOL elegeu em todo Brasil uma bancada combativa e diversa, e em Vitória, no Espírito Santo, pela primeira vez irá ocupar a Câmara dos Vereadores. Elegemos Camila Valadão, a candidata mulher mais votada na cidade, e a primeira mulher negra a ser vereadora de Vitória. São vitórias da luta feminista, antirracista e de todo PSOL.


Militante do movimento estudantil da UFES nos anos 2000, Camila Valadão começou muito jovem e muito cedo a construção de um novo partido de esquerda, o Partido Socialismo e Liberdade. Nunca sozinha, nunca colocando a agenda política de seu grupo de forma impositiva. Pedagógica e paciente, militando em diversos movimentos sociais – de juventude, de mulheres, no movimento negro, em sua categoria –, foi conquistando seu espaço na política capixaba. Sua vitória eleitoral não foi resultado de nenhuma jogada midiática ou sorte, nem artificialmente impulsionada por qualquer apoio da política tradicional e fisiológica, velhos esquemas e apadrinhamentos políticos.


Os 5625 votos que elegeram Camila, a segunda maior votação da capital do Espírito Santo, foram, como anunciado pela sua campanha, votos feministas, antirracistas, antifascistas, antiLGBTIfóbicos e pelo direito à cidade. Elegeram uma ecossocialista, que acredita que só superamos a crise ecológica de nosso tempo com a mudança do sistema de produção e reprodução da vida. Que as desigualdades não se superarão com programas de inclusão nos marcos do Capital. Que as opressões não serão extintas sem o grito e a resistência violenta dos opressores. É preciso lutar para mudar.


Quando se candidatou a governadora do ES, em 2014, Camila mal tinha completado a idade mínima para assumir o cargo. Destacou-se nos debates, em especial quando confrontou o ex-governador Paulo Hartung. Nas eleições seguintes, em 2016, uma surpresa: com 3727 votos foi a 5ª candidatura mais votada para a Câmara Municipal de Vitória. Mas não se elegeu, pois a chapa que integrou não conquistara o quociente eleitoral mínimo para eleger um representante sequer. Em 2018, em cenário parecido, receberia 16829 votos em todo o estado.


A surpresa na primeira e segunda votação expressivas de Camila, em 2016 e 2018, não se deu por não acreditar na expressão de massas de sua campanha, na capacidade de mobilização e encantamento de milhares de pessoas, com quem sua militância dialogou no período eleitoral nas ruas e nas redes. Acreditar para essa militância não é um ato unilateral, é recíproco. Acreditam no povo para que o povo acredite em seu projeto. Um projeto que a Comuna e o PSOL enxergam em diversas candidaturas espalhadas pelo Brasil. A surpresa está na descrença, que não se alterou agora com essa eleição, de que o sistema político brasileiro privilegia elites brancas, misóginas, lgbtfóbicas e racistas. O fato de que Camila foi a primeira e única mulher negra eleita para a Câmara Municipal de Vitória, com 49% de mulheres e uma população de 57% entre pretos e pardos, é a maior prova disso. Mas a vitória de Camila não foi um acidente.


Camila ascendeu na militância política junta de uma geração formada por jovens militantes revolucionários capixabas, alguns organizados no PSOL, que estão nas trincheiras sindicais, em movimentos de cultura e arte, movimentos antirracistas, feministas, lutando pela diversidade sexual e agregando, ano a ano, novas e novos militantes jovens e tão aguerridos quanto. É uma vitória coletiva, de base, que sabe em que chão pisa. Conhecem a cidade que moram, com todas as suas belezas e mazelas. Por isso mesmo, a confiança de que o mandato de Camila Valadão será uma expressão dessa coletividade, contra a forma elitizada, excludente e corrupta da política tradicional. Sua eleição não foi por acaso e seu mandato será histórico.

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