Contra a invasão da Ucrânia! Nota apresentada pela Comuna na executiva nacional do PSOL





Na madrugada de hoje (24.02.2022), a Rússia colocou em marcha um ataque militar à Ucrânia que se intensifica, crescendo por todas as partes do território ucraniano e não mais apenas nas regiões separatistas. O PSOL é contra a invasão da Ucrânia porque quem sofre com suas consequências - mortos, feridos, imigração forçada, fome e desespero - é o povo trabalhador destes países.


A escalada bélica entre Rússia e OTAN é alimentada por ambos os lados, combinando as necessidades políticas de um governo Putin, cada vez mais antidemocrático e questionado internamente, com a crescente influência da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), e consequentemente do imperialismo dos EUA e da Europa Ocidental, no leste do continente.


Com o colapso da URSS, a organização iniciou sua expansão para países como Lituânia, Letônia, Estônia, Romênia e Polônia - neste último mantém base militar a mil quilômetros de Moscou. Hoje a Ucrânia é o quarto maior receptor de financiamento militar dos EUA, sendo que há colaboração ativa entre os seus serviços de inteligência.


Esta situação é um pretexto para a invasão de Putin, cujo governo enfrenta uma crescente crise econômica e social e precisa de um bode expiatório externo tal qual outros países imperialistas. Após a repressão ao povo de Belarus, do Casaquistão e à própria população russa, Putin agora se volta à Ucrânia. O que move a Rússia não é a afirmação da autodeterminação dos povos do leste ucraniano, mas a garantia dos interesses econômicos da elite russa que passam pelo controle territorial daquela região.


O conflito entre Rússia e Ucrânia, portanto, é resultado da disputa de interesses imperialistas , combinando a influência desestabilizadora da OTAN com as necessidades de uma Rússia em crise. Os acordos de Minsk, assinados em 2014 e 2015, permitiram um cessar-fogo à guerra civil iniciada no leste da Ucrânia, a partir do reconhecimento de um status especial às regiões de Luhansk e Donetsk, com autonomia, mas mantendo-as como territórios como parte da Ucrânia.


O descumprimento dos protocolos de Minsk, tanto por Moscou quanto por Kiev, criou as condições para a ofensiva imperialista da OTAN junto ao governo ucraniano, revelando sua submissão ao governo dos Estados Unidos, cuja resposta foi o reconhecimento, por parte de Moscou, das repúblicas separatistas da região do Donbass.


O PSOL defende a autodeterminação dos povo ucraniano e das minorias nacionais do país frente aos interesses das potências capitalistas dos dois lados. Estamos contra a guerra e chamamos por um cessar-fogo imediato, com a retirada das tropas russas da Ucrânia e o recuo imediato da OTAN e do projeto de expansão de suas bases militares na região e respeito aos acordos de Minsk.


Saudamos também o valente movimento anti-guerra russo, que já conta com centenas de camaradas presos por lutarem pela paz na região. Exigimos a libertação imediata de todos os pacifistas russos encarcerados e o direito à livre manifestação neste país.


Da mesma forma, defendemos a retirada dos sistemas de mísseis na Romênia e na Polônia, revertendo a presença desestabilizadora da OTAN na região, e a autodeterminação do povo de Donbass, que deve decidir livremente seu destino, sem ingerência russa e de Kiev. O PSOL defende o fim da OTAN e sua interferência imperialista sobre a soberania dos povos. Queremos paz e que os territórios ucranianos possam definir democraticamente sobre seu futuro.


Pelo fim da invasão russa!

Pelo fim da OTAN e de sua expansão no leste europeu!

Pela autodeterminação dos povos da Ucrânia!

Pela libertação dos pacifistas russos!

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João Alfredo
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