Contra o golpismo bolsonarista, é Lula no primeiro turno!


João Paulo Valdo* e Ricardo Nespoli**


A principal tarefa da esquerda brasileira, ou seja, sua política de posto de comando, é derrotar Bolsonaro nas urnas e fincar uma ofensiva de combate permanente a algo que é mais amplo do que ele: o bolsonarismo. Para isso, é necessário ir às ruas demonstrar a nossa força, mas também fazer campanha para eleger Lula como presidente do Brasil.

O ataque ao STF, o uso sem pudor da máquina pública para sua reeleição e o discurso misógino representado pelo repugnante “imbrochável, imbrochável” no 7 de setembro, além da matéria publicada na Folha de São Paulo1 que aponta um acordo entre TSE e Forças Armadas para participarem da apuração das eleições, que fora desmentida pelo próprio TSE numa nota publicada depois (12/09)2- onde afirmam que não há nenhum acordo e asseguram a competência constitucional da Justiça Eleitoral de conduzir as eleições - nos comunica que o aceno ao golpismo de Bolsonaro é concreto e com apoio de setores do empresariado, como Luciano Hang, presidente da Havan.

Portanto, para barrar o golpismo bolsonarista e sua extrema direita, que é consubstanciada pelo fascismo e reacionarismo, é necessário construir uma campanha eleitoral forte para elegermos Lula no primeiro turno, a fim de evitar um segundo turno que fortaleça o espectro golpista e aprofunde os cenários de violência dos bolsonaristas, como a recente morte a facadas e com tentativa de decapitação de um eleitor de Lula no Maranhão.

É evidente que estamos numa conjuntura complexa e marcada pelo fascismo. O fascismo na particularidade latino-americana, como bem sinalizou Florestan Fernandes, é na sua gênese contrarrevolucionário, ao passo que constroem ações contrarrevolucionárias preventivas que atacam e impedem qualquer aceno democrático, ainda que numa democracia restrita como a do Brasil, que possa beneficiar em alguma medida “os de baixo”. Assim, é o retrato fiel da natureza da burguesia brasileira desde sempre. Dito isso, dois aspectos merecem ser evidenciados e reafirmados:

I) O isolamento político de Bolsonaro de parte importante da burguesia – mesmo essa burguesia se beneficiando do bolsonarismo – não tem freado sua sanha e aventura golpista, vide as comemorações dos 200 anos de independência do Brasil. Mesmo com o escândalo (mais um) da compra de 51 imóveis com dinheiro em espécie, tem se mantido vivo um eleitorado fiel (e violento) disposto a fazer campanha.

II) É necessário construir uma ofensiva da campanha do Lula de modo que fortaleça a disputa para sua vitória eleitoral no primeiro turno, que não está garantida, muito pelo contrário. Não ter havido mobilização massiva para o Grito dos Excluídos, numa postura “nem, nem” da direção nacional do PSOL, e agora o pouco engajamento e mobilização do PT para o dia 10/09 pode nos colocar em maus lençóis.

Faltam menos de 13 dias para as eleições! É necessário ir para cima e fazer campanha, pedir voto, virar voto!

Além disso, a eleição de Lula no primeiro turno precisa vir acompanhada de uma bancada federal com parlamentares de esquerda e progressistas, assim como as assembleias e governos estaduais. Não para fazer concessões ao possível governo Lula, e sim para um terreno político mais democrático e atento às lutas das/dos trabalhadoras/es.

Nossa principal tática é estar nesse processo de mobilização e de campanha, sem ilusões eleitorais e políticas, mas com o compromisso de derrotar o Bolsonaro nas urnas e o bolsonarismo nas ruas e devolvê-los para a lata de lixo da história.


* Assessor Parlamentar no Mandato Ilma Viana - Gabinete da Vereadora Camila Valadão PSOL/ES, doutorando em Serviço Social (UFRJ) e militante da COMUNA/PSOL.


** Assessor Parlamentar no Mandato Ilma Viana - Gabinete da Vereadora Camila Valadão PSOL/ES, secretário de organização do PSOL/ES e militante da COMUNA/PSOL.


1 Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/09/forcas-armadas-farao-apuracao-paralela-em-tempo-real-com-385-urnas.shtml> Acesso em 12/09/2022.

2 Disponível em: <https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2022/Setembro/nota-a-imprensa-699377> Acesso em 12/09/2022.

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