Derrotar Bolsonaro nas urnas e o bolsonarismo nas ruas!


Resolução da COMUNA sobre Tática Eleitoral:


As eleições presidenciais de 2022 serão um momento decisivo do enfrentamento que temos dado ao bolsonarismo e a sua agenda reacionária, conservadora e ultraliberal. A Comuna se engajou nos últimos anos nas lutas pelo Fora Bolsonaro e Mourão, entendendo que não era possível aguardar as eleições como única via para encerrar este governo. Construímos manifestações contra os retrocessos promovidos por este governo, nos engajamos na luta pelo #ForaBolsonaro, e desde que o primeiro pedido de impeachment movido por lideranças do PSOL foi protocolado, consideramos importante que esta derrota viesse das mobilizações populares.


Ainda que muitas lutas tenham acontecido, Bolsonaro seguiu na presidência e vai para as eleições com uma postura golpista de permanência no poder a todo custo. Busca cumprir este objetivo ancorado no bolsonarismo, movimento fascista que lhe dá sustentação e atua para pôr em causa a própria realização das eleições e a legitimidade dos resultados caso seu líder seja derrotado, colocando em cheque e atacando publicamente o STF.


Mesmo que se avalie que o bolsonarismo não tem força para impor um golpe no Brasil, não podemos ter dúvidas de que Bolsonaro tentará fazê-lo. O que é central para bloquear tais ameaças golpistas é a elevação da mobilização popular e antifascista, mas a nossa intervenção eleitoral deve estar também à serviço desse propósito.

Diante deste quadro, nossa principal tarefa eleitoral no próximo período será derrotar Bolsonaro nas urnas. Esta derrota eleitoral não desmantela o bolsonarismo enquanto força política e social, mas é um importante passo no curso do seu enfrentamento no próximo período.

Considerando que a vitória da chapa de Lula-Alckmin no primeiro turno pode minimizar o espaço político do golpismo bolsonarista, optamos por orientar um voto crítico nesta candidatura desde o primeiro turno.


Neste processo, vamos explicitar as nossas divergências com a política de conciliação de classes e as ilusões eleitorais de Lula e do PT, incluindo a de alianças com setores das classes dominantes (centrão, agronegócio, etc.). Diferentemente da linha majoritária do PSOL, que afirma disputar o programa desta coalizão com setores burgueses, a intervenção eleitoral da militância da Comuna defenderá, por meio de nossas candidaturas e de comitês independentes, o programa ecossocialista de enfrentamento ao bolsonarismo e seus elementos constitutivos.

Nosso intuito com este voto é impor uma derrota eleitoral a Bolsonaro no curso do enfrentamento ao bolsonarismo, sem ilusões de que o triunfo do social-liberalismo nos represente programaticamente. Este quadro seguirá demandando de nós o fortalecimento da luta popular nas ruas contra a retirada de direitos, a destruição capitalista da natureza, todas as formas de exploração, dominação e opressão; e em defesa das liberdades democráticas. E nos dará condições políticas de estar à oposição de esquerda ao possível governo Lula-Alckmin.

As diferenças táticas no campo da esquerda socialista não devem limitar a construção de uma resposta à altura dos desafios postos pelo bolsonarismo e nem nos dividir quanto ao nosso objetivo comum que é a imediata derrota de Bolsonaro no primeiro turno. Mas, compreendemos a legítima posição de camaradas que optam pela construção de candidaturas próprias, como as do PSTU, PCB e UP. As/os camaradas que farão esta opção de construção e voto terão o nosso respeito e buscaremos construir, durante e depois das eleições, espaços comuns de articulação e de luta.

No PSOL, batalhamos pela candidatura própria do partido e que o companheiro Glauber Braga fosse o candidato, por entender que teríamos condições de construir, sob a sua liderança, uma frente da esquerda socialista. Entendíamos que esta era a tática mais adequada para afirmar um programa consequente com o enfrentamento do bolsonarismo, sem inviabilizar um voto crítico no segundo turno. Contudo, na ausência da candidatura própria do PSOL, avaliamos que a frente da esquerda socialista não se conformou no terreno eleitoral.


Seguiremos travando uma batalha política no interior do PSOL para barrar a composição por nosso partido de um possível futuro governo de Lula-Alckmin. Entendemos que o lugar da esquerda ecossocialista frente a um governo de colaboração de classes é a oposição de esquerda, preservando um partido com independência de classe, autônomo e revolucionário.

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João Alfredo
Camila Valadão
Ailton Lopes

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