Ilma Viana: Resistência, Conquistas e Afeto


Por Camila Valadão (*)


Nas eleições de 2020, conquistamos o primeiro mandato do PSOL no Espírito Santo e elegemos, como a segunda candidata mais votada do Estado, a primeira mulher negra da cidade de Vitória.


A nossa capital tem uma dívida histórica com a população negra, e começamos a cobrar uma parte da conta escrevendo mais um capítulo no livro desta cidade. Uma história ancestral, de passos longínquos trilhados a muitos pés a caminho do futuro.


Ao tomar posse na Câmara, carregamos uma multidão e ares de renovação e esperança. Na crença na luta coletiva como única possibilidade de transformação da vida, esse é o Mandato Ilma Viana, que homenageia nossa incansável, alegre e combativa companheira de luta que nos deixou em 2017.


O tamanho da luta dessa companheira casa perfeitamente com o significado de resistência, conquista e afeto. Ilma Viana nasceu no ano de 1968, em Domingos Martins, cidade marcada pela imigração europeia, e foi criada em Castelo. Mas foi em Vitória que se destacou na luta contra as desigualdades e todas as formas de opressão. O viúvo de Ilma, Luiz Henrique Rodrigues, lembra que a jovem militante “chegou em Vitória aos 19 anos, para trabalhar como empregada doméstica. Única dos sete irmãos a alcançar o ensino superior, graduou-se em Pedagogia”.


Ilma, mulher negra, militou no Instituto Elimu Professor Cléber Maciel, no Movimento de Mulheres Dandara, no Fórum Estadual das Mulheres Negras e foi uma das fundadoras do Círculo Palmarino. Participou, ainda, da primeira Marcha Mundial das Mulheres em 2000 e também da primeira Marcha das Mulheres Negras em 2015. Esteve presente no Congresso de Mulheres Afro-Latinas-Americanas e Afro-Caribenhas em 1992, no qual foi instituído o dia 25 de julho como o Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha. Começou sua militância partidária no Partido dos Trabalhadores (PT) ainda muito jovem, tendo sido candidata com apenas dezoito anos. Foi a primeira vez que uma mulher negra concorreu para vereadora na capital, deixando sua marca na história capixaba desde cedo. Mais tarde, filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).


Ilma aliava bem a luta e graça. Seu sorriso agregava e encorajava. Amante do carnaval, nos deixou prematuramente, aos 49 anos, para encontrar seus encantados, inquices e orixás em 2017, dias antes da festa mais popular do país. Em todas as revoluções, as mulheres estiveram presentes. “Nossa revolução” Ilma Viana nos ensinou que caminhar deve ser possível, ainda que difícil, e a importância de sermos quilombo, partilha e fortalecimento. Ilma Viana, presente! (*) Camila Valadão é assistente social, militante feminista e antirracista, vereadora pelo PSOL em Vitória e militante da Comuna no Espírito Santo.

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