PSOL aprova Federação com a REDE


Por Pedro Barbosa*


Esta foi a notícia que encerrou ontem o dia de muitos militantes, filiados e simpatizantes do PSOL. Se alguém conseguiu dormir tranquilo ao tomar conhecimento dessas informações, não entendeu bem o que está em jogo.


A constituição da "federação" é uma inovação legislativa. Diferente de uma coligação ou aliança pontual, se assemelha mais a uma "fusão temporária": impõe um programa comum, um estatuto comum e uma direção comum. E isso ao longo de 4 anos!


A Rede não faz parte do nosso campo de classe. Não representa os interesses dos explorados e oprimidos. É um partido burguês, defensor de um "capitalismo verde" (supostamente sustentável). Ao lado dos conservadores e reacionários, foi contra a descriminalização e legalização do aborto. Recebeu financiamento da família Setúbal, do banco Itaú. Votou, em diversas oportunidades, sistematicamente contra os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras. Apoiou o golpe institucional de 2016. Precisa dizer mais alguma coisa?


O que há de comum entre isso e o PSOL? O PSOL é o partido do "socialismo" e da "liberdade". Está no seu nome. Um partido anticapitalista, ecossocialista, feminista, antirracista e defensor da diversidade sexual e de gênero. Basta fazer referência a isso para concluir, sem qualquer dificuldade: não temos nada a ver com a Rede. Na luta de classes, estamos em trincheiras opostas.


Por essa razão, a aprovação desta federação na noite de ontem se configura como um erro muito grave. Nos dilui ideológica e politicamente. Uma decisão que foi guiada por um pretenso pragmatismo eleitoral. E conduzida de forma burocrática, atropelada e sem ampla discussão, mesmo com as enormes e evidentes implicações negativas que traz. Representa mais um (e não pequeno) passo na direção da descaracterização do PSOL, da perda de seu perfil e identidade programática.


É de se lamentar profundamente que setores importantes do partido, como os companheiros do MES, que eu respeito, tenham se aliado ao que há de mais burocrático e eleitoralista dentro do PSOL (Primavera Socialista e Revolução Solidária) para impor esta derrota ao partido. Não se enganem, esta decisão não tem nada de "tática". Que raios de tática seria esta que nos coloca na contramão de nossos objetivos estratégicos?


O PSOL perde com esta decisão. Se enfraquece. Mas ainda não acabou.


Nos organizemos, então, para as batalhas que estão por vir. E para defender um projeto de PSOL com independência de classe e coerente com o nosso horizonte de emancipação.


Em nome do (eco)socialismo e da liberdade, nada de abandonar a luta. Seguiremos!



*Pedro Barbosa é militante da Comuna em São Paulo

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